APRESENTAÇÃO SESC-SP

Cinema expandido: nova cartografia da produção fílmica

Uma grande distância separa os espetáculos visuais apresentados em vaudevilles (EUA), music- halls (Inglaterra) e cafés-concerts (França), nos primórdios do cinema, das narrativas sofisticadas que impregnam hoje a estrutura da indústria global do audiovisual. Das imagens quase pictóricas, que se revelavam como quadros de composições frontais em planos abertos, partimos para variadas investigações e experimentações técnicas possibilitadas pelo avanço das novas tecnologias.

Se o aumento das formas de realização advindas do universo digital não oferece, por si só, garantia de excelência das imagens – haja vista a imponderável marca da autoria –, o fato é que elas têm ocasionado um leque de contribuições inovadoras para um maior número de utilizadores. Ao tornar acessíveis práticas de trabalho tecnicamente mais apuradas no âmbito da captação e da pós-produção, essas ferramentas colaboram com a descentralização dos processos de criação, aproximando profissionais e amadores, amplificando o trabalho de diretores independentes e jogando luz a obras dos mais diversos gêneros, estilos e suportes.

Os avanços destacados, porém, ainda se mostram insuficientes para corrigir as assimetrias existentes nos campos da distribuição, exibição e recepção dos filmes. Temos um conglomerado de vozes que mantém a lógica do mercado a essa importante parcela da economia da cultura, a cinematografia.

Contrárias à tendência corporativa, algumas práticas desenham-se no cenário do audiovisual com o propósito de suprir a ausência de financiamentos, de incentivar as formas de coprodução e de propiciar a expansão das zonas de exibição para diversos países, em especial os ibero-americanos.

Nessa perspectiva, o BrLab – laboratório de desenvolvimento de projetos no Brasil – realizado pela Klaxon Cultura Audiovisual, Spcine e Secretaria Municipal de Cultura –, coloca-se como exemplar por ser um espaço de recebimento de propostas de longas-metragens de ficção, da América Latina e Península Ibérica, e de capacitação de toda a cadeia produtiva do cinema, desde diretores até produtores, gestores e demais profissionais e interessados na área. O Sesc, ao abrigar algumas atividades do projeto, especialmente aquelas voltadas à discussão de formas de criação, metodologias comuns e trabalho em rede com os países do entorno, reforça o seu compromisso com a difusão de conhecimentos na área de gestão cultural, com o adensamento de novos repertórios e com a promoção de obras fílmicas.

Sesc São Paulo